quarta-feira, setembro 30, 2015

As ruas adormecem. O candeeiro
ilumina ténue e mal as memórias,
o cinzento-calçada sem histórias.
De pouco serve ter na mão o isqueiro.

É balda da insónia a varanda.
Não se avista onde o caminho conduz -
a esta hora o caminho está sem luz
e o pensamento só por si não anda.

No ar de um morcego a dança perene.
Resta fitar a ausência de passos
entre os prédios da rua e muros baços,

'sperar até que não esteja vazia
das pessoas que traz a luz do dia,
e que uma delas sorrie e me acene.

quinta-feira, setembro 17, 2015

Findo o impulso, passado o vento,
do carvalho as muitas folhas quietas
adornam as fronteiras não rectas
da clareira só e o pensamento.

Luzindo e entrecortando o momento,
a Lua que invade como setas
as frestas das mil ramadas pretas
do bosque calado e o sentimento.

Aqui não há nada. Um lobo uiva.
Ateio uma fogueira e a chama é ruiva,
dispersa na sombra do carvalho.

Longe, de um palácio as ténues luzes.
Aqui, palavras dormem sob cruzes
e uma chama arde p'ra caralho.